O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sergio Nobre, defendeu a retomada do diálogo social e o fortalecimento da negociação coletiva como caminhos para enfrentar os desafios do mundo do trabalho no Brasil. A posição foi reforçada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na abertura da etapa nacional da II Conferência Nacional do Trabalho, realizada nesta terça-feira (03), no Anhembi, em São Paulo.
O evento reuniu representantes do governo federal, centrais sindicais e do setor empresarial para discutir propostas que possam orientar políticas públicas voltadas ao emprego, à renda e às relações de trabalho no país.
Logo no início de sua fala, Lula destacou que a conferência representa mais do que um espaço de debate: é um exemplo concreto do funcionamento da democracia.
“Uma coisa importante que está acontecendo neste encontro é a fotografia do que é o exercício da democracia no país”, afirmou o presidente.
Para Lula, mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam nascer do diálogo entre trabalhadores, empresários e governo, respeitando a diversidade e a complexidade do mercado de trabalho brasileiro.
“O resultado final desse debate será muito melhor se for fruto de um acordo entre empresários, trabalhadores e governo”, declarou.
Durante sua intervenção, Sergio Nobre defendeu o fortalecimento da negociação coletiva como instrumento central para garantir direitos, melhorar salários e assegurar condições dignas de trabalho. Ele também voltou a criticar a escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias para descansar apenas um — e defendeu sua superação como medida de justiça social e melhoria da qualidade de vida.
Segundo Nobre, a reconstrução de um ambiente de diálogo permanente é essencial para enfrentar desafios como a informalidade, a precarização e os impactos das novas tecnologias no emprego.
O presidente da CUT também anunciou que as centrais sindicais lançarão uma campanha nacional de combate ao feminicídio. A iniciativa pretende mobilizar sindicatos, trabalhadores e a sociedade para enfrentar a violência de gênero, reforçando a necessidade de políticas públicas e ações concretas de prevenção.
A II Conferência Nacional do Trabalho segue com debates e grupos de discussão voltados à formulação de propostas que deverão subsidiar futuras iniciativas do governo federal na área trabalhista, consolidando o compromisso com o diálogo social como base para o desenvolvimento econômico e a justiça social no Brasil.