A Central Única dos Trabalhadores realizou, entre os dias 7 e 9 de abril, uma oficina de planejamento estratégico para discutir as diretrizes do ciclo sindical 2027–2029. O encontro contou com o apoio da DGB Baden-Württemberg e reuniu representantes de diversas regiões do país.
Organizada pela Secretaria Nacional de Formação da CUT, a atividade teve como objetivo alinhar estratégias a partir da realidade enfrentada pelos trabalhadores brasileiros. Para a secretária da pasta, Rosane Bertotti, o processo coletivo é essencial para manter a central conectada com sua base. “A parceria com a DGB reforça uma relação histórica e amplia a solidariedade internacional, especialmente em um momento de grandes transformações no mundo do trabalho”, destacou.
A diretora do Escritório Regional para a América Latina da DGB BW, Flávia Silva, ressaltou que o planejamento ocorre em um contexto de mudanças estruturais. Segundo ela, o debate acontece em um período de profundas transformações no modelo de trabalho consolidado no pós-Segunda Guerra Mundial.
Um dos pontos centrais do encontro foi a avaliação do projeto “Educação, Organização e Ação para as Novas Estruturas de Trabalho no Brasil”. O balanço apontou avanços importantes, como o fortalecimento da Rede Nacional de Formação e a ampliação do trabalho de base, aproximando ainda mais a CUT dos trabalhadores em seus territórios e categorias.
Os participantes também discutiram os resultados na formação de dirigentes e militantes. O modelo de formação de formadores foi destacado como uma estratégia eficaz para garantir continuidade às ações sindicais e ampliar a capacidade de mobilização.
Ao projetar o próximo ciclo, os debates focaram nos desafios atuais, como o avanço das novas tecnologias, o crescimento da informalidade e as mudanças nas relações de trabalho. Diante desse cenário, a CUT definiu como prioridade o fortalecimento da Rede Nacional de Formação, com o objetivo de ampliar sua presença e organização nos territórios.
A iniciativa busca alcançar principalmente trabalhadores em situação de informalidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com base na PNAD Contínua de 2023, indicam que cerca de 40% da força de trabalho no Brasil está fora de vínculos formais.
Para Rosane Bertotti, esse cenário exige respostas mais ágeis e conectadas à realidade. “Precisamos ampliar nossa capacidade de formação e organização para enfrentar esses desafios com estratégia e unidade”, afirmou.
Já Flávia Silva destacou que a DGB BW continuará apoiando o fortalecimento das organizações sindicais na América Latina. Entre as prioridades estão a formação político-sindical e a ampliação da representação de trabalhadores informais. “Serão fortalecidas ações que ampliem a presença da CUT entre esses trabalhadores, além da incidência política e da negociação por proteção social”, explicou.
A oficina contou com representantes de diversas secretarias da CUT, como Secretaria-Geral, Formação, Organização, Administração e Finanças e Relações Internacionais. Pela DGB, também participaram Victoria Perino e Helaine Farsura.
Com as diretrizes debatidas e consolidadas, a expectativa é que a CUT fortaleça sua atuação junto à base e amplie sua capacidade de resposta diante das novas dinâmicas do mundo do trabalho.