A sindicalização no Brasil voltou a crescer em 2024 após mais de uma década de queda. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de sindicalização dos trabalhadores ocupados chegou a 8,9%, superando o índice de 8,4% registrado em 2023. É a primeira alta desde 2012, ano em que o levantamento passou a ser realizado.
As informações constam no Caderno de Negociação de janeiro, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que também aponta um dado relevante: trabalhadores filiados a sindicatos recebem, em média, 55% a mais do que os não associados.
A maior diferença de rendimento foi registrada no setor público, que engloba administração pública, defesa e seguridade social. Nesse segmento, os sindicalizados ganham 69% a mais do que os não filiados. O setor também apresentou uma das maiores taxas de sindicalização do país em 2024, com 15,2% dos trabalhadores associados a sindicatos.
Outro destaque é o setor de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que inclui jornalistas e demais trabalhadores da área da Comunicação. Nesse grupo, a diferença de rendimento médio entre sindicalizados e não sindicalizados foi de 53%. Enquanto os trabalhadores filiados a sindicatos tiveram rendimento médio de R$ 6.482, os não associados receberam, em média, R$ 4.228.
Os dados reforçam o papel dos sindicatos na negociação de melhores salários e condições de trabalho, além de indicar uma possível retomada da confiança dos trabalhadores na organização sindical como instrumento de defesa de direitos e valorização profissional.