Carnaval é tempo de festa, cultura e geração de renda. Mas, para milhões de brasileiras, também é período de medo e insegurança. Em meio a blocos, trios elétricos e bailes, o assédio ainda é uma realidade que marca negativamente a experiência de muitas mulheres.
O que para alguns é tratado como “brincadeira”, para outras significa constrangimento, invasão de espaço, violência e trauma. As vítimas são mulheres de todas as idades — meninas, jovens, adultas e mulheres trans. Já os agressores, em sua maioria, são homens que insistem mesmo diante da negativa.
Por isso, a frase que ecoa nas ruas e campanhas educativas é direta: não é não.
Levantamento do Instituto Locomotiva, destacado pelo Instituto Patrícia Galvão, mostra que o problema é reconhecido pela sociedade. A pesquisa foi realizada entre 18 e 22 de janeiro de 2024, com 1.507 pessoas com 18 anos ou mais.
Os dados apontam que:
86% dos brasileiros reconhecem que ainda existe assédio no Carnaval e que é responsabilidade de todos combater essas práticas;
Entre as mulheres, o índice sobe para 89%.
Os números evidenciam que a violência não é caso isolado, mas uma prática recorrente que precisa ser enfrentada coletivamente.
A campanha “Não é Não” ganhou força nacional e, em 2023, foi transformada em lei federal. A legislação institui o protocolo “Não é Não”, voltado especialmente para ambientes de lazer e grandes eventos, como o Carnaval.
A norma estabelece medidas de prevenção e acolhimento às vítimas, além de orientar estabelecimentos e organizadores sobre como agir em casos de assédio ou violência contra mulheres. O objetivo é garantir que a negativa seja respeitada e que haja responsabilização em situações de abuso.
O Disque 180 é o canal oficial e permanente para denúncias de violência contra a mulher em todo o país. O serviço funciona 24 horas por dia, é gratuito e pode ser acionado de qualquer lugar do Brasil.
Além de registrar denúncias, o canal também orienta sobre direitos e encaminha as vítimas para serviços especializados da rede de atendimento.
O Carnaval deve ser sinônimo de alegria, liberdade e celebração. Nenhuma mulher deve ter sua diversão interrompida por medo ou violência.
A mensagem é clara: consentimento é fundamental. Se a resposta for não, é não — sem insistência, sem pressão e sem justificativa.
Combater o assédio é dever de todos. Denunciar é um ato de proteção e de cidadania.