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Covid-19 já matou 16 trabalhadores da saúde pública de São Paulo

As informações foram coletadas pelo Sindsep SP através dos registros de colegas, amigos e familiares, nas redes sociais e em veículos de imprensa Sindsep/SPManifestação contra o descaso com os trabalhadores dos serviços públicos essenciais (12/04) De acordo com dados levantados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo (Sindsep), até às 22 horas do […]
Por Joenesson Santana quarta-feira, 15 de abril de 2020 | 09h37m

As informações foram coletadas pelo Sindsep SP através dos registros de colegas, amigos e familiares, nas redes sociais e em veículos de imprensa

De acordo com dados levantados pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo (Sindsep), até às 22 horas do domingo de páscoa, 16 trabalhadores da saúde pública de São Paulo já teriam morrido em decorrência da contaminação por Covid-19.

A entidade denuncia que o número pode estar abaixo da cruel realidade, tendo em vista que a Prefeitura Municipal da Capital e o Governo do Estado seguem sem viabilizar uma listagem oficial dos trabalhadores doentes, sobretudo com suspeita do novo coronavírus, e um painel dos óbitos entre os profissionais da saúde pública em todo o estado.

O sindicato acredita que o número expressivo de mortes e os adoecimentos seriam produto da falta de medidas eficazes de segurança e saúde para os trabalhadores. Cerca de 62% dos profissionais afirmaram, em pesquisa realizada pela organização laboral, não ter máscaras de uso hospitalar (N95). Outros dados são alarmantes: 52% não têm máscara cirúrgica; 70%, não possuem álcool 70; e 30%, avental.

Disponibilizar equipamentos de segurança não é opcional, mas um direito do trabalhador e uma obrigação do empregador. Quase um terço dos profissionais afirmou ter 60 anos ou mais – ou seja, também pertence ao grupo de risco e deveriam estar afastados. “A situação é extremamente grave, mostra a incapacidade de proteger os profissionais do setor público da saúde (servidores, trabalhadores das organizações sociais da saúde e terceirizados) por parte dos governantes”, destaca o Sindsep.

“Como sindicato dos trabalhadores do serviço público municipal reafirmamos que a condução do enfrentamento à crise por parte da administração municipal de Bruno Covas e do secretário municipal de saúde Edison Aparecido tem se pautado pelo descaso e pela enrolação na solução da crise dos equipamentos de proteção individual. Esse fato se acumula com a ausência de testagem sistemática dos profissionais da saúde para contaminação do coronavírus”, comentam os representantes laborais.

O Sindsep orienta que os trabalhadores façam denúncias contínuas. A entidade vem tomando também medidas judiciais e buscando todas as formas de negociação com os poderes públicos, mas lamenta que a Prefeitura de São Paulo segue se manifestando somente através de notas “vazias” e “falando sobre máscaras cirúrgicas e N95 que nunca chegam na quantidade necessária para uso dentro das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”. 

LISTA DE TRABALHADORES DA SAÚDE DE SP FALECIDOS NA PANDEMIA:

1. Gloria (ainda não localizamos sobrenome), técnica de enfermagem do Hospital Municipal Cidade Tiradentes, Cidade Tiradentes.

2. José Antônio da Boa Morte, técnico de enfermagem em uma empresa de ambulâncias que atendia o serviço de saúde de São Paulo.

3. Juraci Augusta da Silva, de 72 anos, auxiliar de enfermagem no  Hospital Municipal Carmino Caricchio.

4. Idalgo Moura dos Santos, de 45 anos, enfermeiro, funcionário da Organização Social de Saúde SPDM, trabalhava no Hospital Municipal Carmino Caricchio – Hospital do Tatuapé.

5. Eduardo Gomes da Silva, de 48 anos, auxiliar de enfermagem no Hospital Tide Setúbal, funcionário SPDM.

6. José Alves Galdino da Silva, 38 anos, trabalhador terceirizado da vigilância do Hospital Municipal Dr. Benedicto Montenegro (Jardim Iva).

7. Paulo Fernando Moreira Palazzo, 56 anos, médico clínico, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). 

8. Marceliane Maciel, de 53 anos, trabalhava na Unidade Básica de Saúde – UBS Sacomã.

9. Luzanira Odílio, de 61 anos, auxiliar de enfermagem do Hospital Municipal do Campo Limpo.

10. Maria Elisa Reis de Oliveira, 66 anos, auxiliar de enfermagem municipalizada que trabalhava na UBS Jardim Peri, Cachoeirinha.

11. Angela Maria Salomão, 64 anos,  agente comunitária de saúde na Unidade Básica de Saúde – UBS Jardim Guairacá, no Jardim Guairacá.

12. Jaime Takeo Matsumoto, médico ortopedista do Hospital Municipal Tide Setúbal, São Miguel Paulista

13. Adelia Maria Araujo de Almeida Oliveira, médica pediatra do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, Bela Vista.

14. Maria Santos, enfermeira do Hospital Municipal de Pirituba, na região de Pirituba e do Hospital Estadual do Mandaqui, Santana.

15. Elisangela Ferreira, técnica de farmácia AME Maria Zélia, Belenzinho (trabalhadora da saúde estadual).

16. Carlos Rogério de Carvalho, técnico em enfermagem do Hospital Estadual do Mandaqui, Santana  (trabalhador da saúde estadual).

[ Com dados coletados até as 22h do domingo | 12.04.2020 – SINDSEP | Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo ]